A amizade como suporte para a experiência da falta na abordagem psicanalítica
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Resumo
Este trabalho tem como objetivo compreender o papel das relações de amizade no enfrentamento da falta sob a perspectiva psicanalítica, articulando conceitos fundamentais da teoria psicanalítica clássica e contemporânea, como castração, falta, desejo, sublimação e laço social, com os desafios impostos pela sociedade neoliberal e capitalista. Partindo de uma revisão narrativa da literatura, compreende-se que a amizade, enquanto laço social sublimado, opera como um fator protetivo contra o sofrimento psíquico, na medida em que oferece um espaço de reconhecimento da falta e não da sua negação ou tentativa de preenchimento. O estudo percorre a constituição do sujeito em Freud e Lacan, explora a amizade como resistência ética em Foucault e investiga suas implicações clínicas a partir da técnica elástica e da ética do cuidado de Ferenczi. Conclui-se que a amizade se configura como um recurso ético-político e clínico ao individualismo e ao enfraquecimento dos laços, sustentando a dimensão do desejo e a invenção de novas formas de vida, fundamental para a promoção da saúde mental.