Caracterização Ecológica do Refúgio de Vida Silvestre do Bicudinho (Guararema-SP) para conservação da biodiversidade
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Resumo
O Bicudinho-do-Brejo-Paulista (Formicivora paludicola) é uma espécie endêmica do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, e encontra-se classificada como criticamente ameaçada de extinção. Essa ave apresenta forte dependência de brejos para alimentação e reprodução, habitats caracterizados por elevada umidade, presença de vegetação alagadiça e micro-hábitats específicos para nidação e forrageamento. Ecologicamente, esses ecossistemas úmidos desempenham papéis vitais na manutenção do ciclo hidrológico, na purificação da água e no controle da erosão, sendo considerados Áreas de Preservação Permanente (APP). Diante disso, este estudo teve por objetivo realizar pesquisas sobre a biodiversidade e a qualidade ambiental dos brejos da Unidade de Conservação Refúgio de Vida Silvestre do Bicudinho, localizada no município de Guararema (SP), a fim de contrubuir com a preservação do Bicudinho-do-Brejo-Paulista. Para tanto foi elaborado e aplicado um protocolo de avaliação rápida (PAR) a fim de caracterizar ecologicamente o ambiente, bem como foram avaliados parâmetros físico-químicos, determinados por meio de uma sonda multiparâmetros e análises laboratoriais por espectrofotometria para nutrientes e a qualidade microbiológica avaliada pelo método Colilert para detecção de coliformes e E. coli. A caracterização biológica baseou-se em armadilhas de colonização e identificação taxonômica de macroinvertebrados bentônicos. Os resultados da aplicação do PAR indicaram que, em outubro de 2024, o P1 foi classificado como “Sistema Alterado” e o P2 como “Natural”. No entanto, na campanha realizada em maio de 2025, observou-se resultado inverso, com P1 classificado como “Natural” e P2 como “Alterado”, evidenciando variação temporal na integridade ecológica dos ambientes avaliados. Quanto à qualidade da água, parâmetros como pH, oxigênio dissolvido, amônia, fosfato e coliformes apresentaram valores acima dos limites da Resolução CONAMA nº 357/2005 nos períodos avaliados. A comunidade bentônica foi dominada por Chironomidae e Oligochaeta, organismos tolerantes a matéria orgânica, indicando condições ambientais medianas, porém ainda compatíveis com brejos conservados. Os resultados reforçam a importância do monitoramento contínuo na área do RVS do Bicudinho, contribuindo para ações de manejo que assegurem a conservação e a integridade ecológica dos ecossistemas úmidos da região.