Análise multiescala da fotobiomodulação e membrana amniótica no reparo medular: da preservação da mielina à recuperação cinética
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Resumo
As lesões medulares traumáticas (LM) representam uma condição clínica devastadora, com fisiopatologia complexa, que abrange eventos primários e secundários, culminando em déficits neurológicos severos, perdas funcionais permanentes e elevado impacto socioeconômico. Ante a escassez de terapias regenerativas definitivas, esta tese investigou estratégias terapêuticas inovadoras e de baixo custo com foco na fotobiomodulação (PBM) e na aplicação de fragmento da membrana amniótica (MA). O objetivo central foi avaliar e comparar a eficácia dessas terapias, isoladas ou associadas, no reparo de lesões medulares e na recuperação funcional locomotora. Utilizou-se um modelo experimental de lesão medular por contusão em 45 ratos Wistar, distribuídos nos grupos Controle (C), Lesão (L), PBM, MA e PBM+AM, subdivididos em dois tempos experimentais, 7 e 14 dias. A fotobiomodulação foi aplicada usando parâmetros específicos (808 nm, 72 J/cm2, 100 mW, pontual, transcutânea, e em dias alternados), e o fragmento de MA (4 cm²) foi implantado com a face mesenquimal voltada para o tecido neural. Após 7 e 14 dias da lesão medular, realizou-se avaliação multiescala incluindo histomorfometria (Hematoxilina e Eosina e Luxol Fast Blue) para mensuração da área de cavitação e integridade da mielina, além da análise biomecânica da marcha via Força de Reação do Solo (FRS). A análise dos dados demonstrou que, na fase aguda (7 dias), todos os grupos tratados exibiram redução significativa na área de cavitação comparados ao grupo L, com superioridade estatística para a PBM isolada (p<0,05). Na fase subaguda (14 dias), embora as diferenças morfométricas tenham se estabilizado entre os grupos tratados, a análise biomecânica revelou que o grupo PBM+AMII apresentou recuperação funcional significativamente superior ao grupo L (p<0,05). Conclui-se que os protocolos propostos exerceram efeitos neuroprotetores relevantes, distintos e complementares: a fotobiomodulação demonstrou maior eficácia na modulação da fase aguda, enquanto a associação terapêutica mostrou-se fundamental para a otimização da recuperação funcional a longo prazo.