Territórios da financeirização: Fundos de Investimento Imobiliário e reorganização seletiva do espaço metropolitano paulista
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Resumo
Esta tese analisa a financeirização a partir dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), compreendendo o território como instância ativa da acumulação capitalista. A investigação adota um percurso analítico multiescalar, partindo de um referencial teórico que articula capital, espaço, técnica e Estado, e sustenta que a financeirização não constitui um fenômeno isolado, mas um desdobramento histórico-estrutural do capitalismo contemporâneo, no qual a valorização financeira reorganiza a produção do espaço, redefine hierarquias territoriais e evidencia padrões de seletividade. No plano empírico, examina-se a espacialização de imóveis que compõem portfólios de FIIs nos municípios do estado de São Paulo, articulando indicadores de área bruta locável, patrimônio e receita à divisão territorial do trabalho e a atuação das instituições financeiras responsáveis pela gestão desses FIIs. A análise aprofunda-se no segmento logístico, tomando como recorte o Ecossistema Logístico Itupeva-Jundiaí-Cajamar, demonstrando que a consolidação desse espaço como polo privilegiado da financeirização imobiliária decorre da convergência entre condições infraestruturais e normativas, estratégias do capital financeiro e ações do poder público local. Ao articular análise quantitativa, observação participante e análise de conteúdo de notícias, a tese evidencia que a financeirização do imobiliário logístico se manifesta simultaneamente como processo econômico, territorial, institucional e discursivo, produzindo especializações espaciais, competição interurbana e novas formas de mediação entre capital financeiro e território.