O uso clínico do Role-Playing Game (RPG) na Psicologia: uma revisão narrativa sob a perspectiva fenomenológico-existencial
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Resumo
Este estudo investigou as articulações entre o Role-Playing Game (RPG) e a perspectiva fenomenológico-existencial, com ênfase em seu potencial uso no contexto clínico. O objetivo do estudo foi analisar o potencial do Role-Playing Game (RPG) como recurso clínico à luz da perspectiva fenomenológico-existencial, discutindo seus benefícios, riscos e implicações éticas na prática psicológica. Metodologicamente, caracteriza-se como pesquisa qualitativa, narrativa e exploratória, tomando como referencial o pensamento de Martin Heidegger e as contribuições da clínica fenomenológico-existencial (Feijoo). Foram selecionados artigos publicados a nas bases SciELO, PePSIC e Portal de Periódicos da CAPES, com os descritores “psicologia”, “clínica” e “RPG” e critérios de inclusão e exclusão previamente definidos.O procedimento de análise foi orientado pela leitura fenomenológica de sentidos. Os resultados indicaram benefícios cognitivos, emocionais e relacionais associados ao RPG (desenvolvimento de funções executivas, simbolização de conflitos, fortalecimento de vínculos e cooperação), bem como aplicações clínicas em diferentes enquadres psicoterápicos (individual e grupal), com relatos de favorecimento da expressão, da imaginação e da responsabilização por escolhas. Também foram identificados riscos e limites, o que requer mediação técnica, enquadre claro e salvaguardas éticas. À luz da fenomenologia existencial, o RPG mostra-se como espaço de desvelamento do ser-em-situação, no qual emergem projetos, valores, angústias e possibilidades, integrando narrativa, fala e escuta clínica. Conclui- se que o RPG pode constituir recurso promissor na prática psicológica, desde que manejado por profissionais capacitados e em conformidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, preservando a singularidade da experiência e os direitos dos participantes. Apontam-se, por fim, a necessidade de estudos empíricos clínicos no cenário brasileiro e a sistematização de protocolos de intervenção com acompanhamento longitudinal.