Autismo para além da patologização: contribuições da teoria Histórico-Cultural à construção de uma perspectiva crítica

Resumo

Este estudo busca contrapor a concepção hegemônica do autismo, ancorada no modelo biomédico, à uma perspectiva crítica a partir da Teoria Histórico-Cultural (THC). Mediante revisão narrativa da literatura, analisa-se a constituição histórica do modelo biomédico, como ele influenciou e influencia no percurso do autismo – na construção de seu significado e modelo de intervenção – no decorrer da história através dos Manuais Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e suas consequências sociais. Em seguida, através da THC e o materialismo histórico dialético, busca-se redefinir o sentido e significado do autismo a partir de contribuições de autores clássicos aos mais atuais como um fenômeno sociocultural, enfatizando a interdependência entre biologia, contexto histórico e mediações ambientais na constituição subjetiva. Levanta-se a importância de se pensar como pode se dar o desenvolvimento atípico a partir da THC, e possíveis intervenções. Por fim, salienta-se a necessidade de uma psicologia engajada e alinhada ao modelo social de deficiência – que priorize alteridade, singularidade e inclusão social – com uma atuação do psicólogo que seja ética, crítica e revolucionária com o comprometimento de pensar nas mudanças necessárias para colocar em prática uma sociedade mais igualitária, justa, inclusiva e que promova a equidade.


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